terça-feira, 28 de julho de 2015

A Dança da Bromélia


Desliza o som, lento, à mente
Energia nossa cruza
Rodopios síncronos
Beleza de mente

Mão na cintura. Te puxo
Te aperto ao sufoco.
Amor do pavor.
Afasto-me!
Dedos se tocam. Giro.
Feitiçaria do mito.

Seios, toques, rostos e barba
Molhados, suados de tanto dançar.
A música, o passo pseudo ensaiado
Quase um ato de compenetrar
Intuitiva, a mente voa
Dois um só corpos ecoa
Movimentos então sem nexo
Pra só quem é não dislexo
E, de vir, dividimos, e é tão bem mais gostoso
Desejar a tua boca e teu corpo avultoso
Mas ao lado, deitada, estás bela a ninar
Valorizo e te espero, portanto, acordar

E um dia, uma noite,
Quem sabe, uma dança
Nosso tato e desejo irão se encontrar
Bromélia, dançante minha, 
Feche os olhos e deixe-me a levar.








domingo, 1 de fevereiro de 2015

Obscena Víbora

Deixe-me tocá-la, víbora!
Como um instrumento de sopro antigo
Cuja nota soa longa e segue o silêncio vivo
Pois comprastes confiança indevida
E da vida, ilusória esperança.

Mas deixe-me transformá-la, víbora!
Minhas mãos em tua pele quente
Olhos nos olhos, suor e gemidos
Quero te ter, quero te ver
Com lábios pintados de azul
Te xingo! Te uso! Te bato!
Espanco o teu corpo nu.

Então deixe matá-la, víbora
Pois já quis te matar de amor
E tentei até de prazer
Quero ver a sua vidinha fútil
Esvaecendo de você.
Minhas mãos em teu pescoço chulo
Estrangulo-te, pois não te engulo mais
Mas não te preocupes, obscena víbora
Pois teu veneno... já extraí demais.


terça-feira, 18 de novembro de 2014

Insônia

Não durmo. Não consigo dormir. A horas aguardo o sono acariciar o meu corpo, tocando meu rosto, minhas coxas e as partes mais íntimas, mas não, continuo nu, deitado, entediado. 

Pego o celular. Nenhuma mensagem. Solitário virtual que sou. Mas 4 da matina? Minto pra mim mesmo. Stalkeio amores antigos. Melhores sem mim. Vontade de sumir, de chorar, de morrer, mas não de dormir. Íntimos sentimentos. Convivência diária. Sentimentos que tomam conta do meu noite-a-noite. 

Fome. O caminhão de lixo passa na rua. Mas a lua se esconde, não dá pra rimar. Tento adaptar, até minha barba coçar. Feridas, caspa, rugas, fios bracos, olheiras. Tenho raiva de toda essa esquisitice. Sem falar da minha calvice. Tento não pensar. Feios existem piores que eu e conseguem ser felizes. Aí eu penso: se sendo assim já sou assim, imagine se eu fosse de outro jeito? Já teria me jogado umas 50 vezes do edifício, o que não é tao fácil, mas também não é difícil. 

Se eu tivesse um relógio de ponteiro diria que ele caminha pra chegar em algum lugar, mas somente anda em circulos. Mas como só tenho o celular, fui eu que voltei ao início, tal qual o ponteiro a girar. Bocejo. Finalmente vejo que irei dormir. Mas temo, ao acordar, que estruprado irei me sentir.

Suicídio

A cada dia que passa
Passa a vontade de viver
De ver o que todos passaram
Só pra minha coragem morrer

Coragem de ser covarde
Quando arde o peito a bater
Bater de frente o perigo
Perigo que faz me render

Render-me de tão cansado
De nada ter caminhado
Nessa trilha da vida que afasto

Afastado, eu fico a pensar
Pensando, eu fico calado
Calado, eu fico ao deitar

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Ingressar em Mim

Sinto-me preso, distante
Deixado de lado por todos os lados
Não, sou eu que afasto, me afasto
Me prendo, me isolo até que a dor 
Só possa ingressar em mim
Guardo a tristeza como uma caixa de Pandora
Sou dislexo, bibolar e tenho TOC
Toque minha pele e me deixe respirar
Tão cansado pra me segurar
Inseguro do ensejo do próprio peso
Bêbado, bêbado, bêbado
Encarrego-me do medo
Tento chorar no desespero
Quero lembrar de ser alguém
Quero viver. Ter minha sombra
Não ser a sombra de alguém
Quero amar e ser amado
Mas tudo que eu faço
Destrói tudo que amei
E eu só amei a mim
Sou covarde
Egoísta por dizer só o que eu quis
Machuquei e afastei
Meu amor, meu grande amor
Meu bem, perdoa, pois não posso perdoar
Aquele que te maltratou, que me tirou de ti
E me prendo e me isolo até que a dor
Só possa ingressar em mim

terça-feira, 2 de julho de 2013

A Sombra

Desafios imperfeitos do medo
Arrepiando-me, eu vejo 
O sabor da loucura a se aproximar
Com passos suaves, perfeitos
Toca a nuca a me arrepiar
Corpo se move contínuo
Mente se volta ao instinto
Grito! Desespero! Insisto.
Engulo a saliva involuntária
Cabeça erguida com as mãos
Girar-me, esconder-me,
Arrancado de suma razão.
Ouço vozes me afetar
Gritos secos no olhar
Sangue assim disparar
Sombra sórdida a chegar
Ingere voz, olhar, pensar e dor
Mente, ego e id meu
Sou no fim a minha sombra
Ou a sombra será eu?

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Resumo da Hipocrisia

Hipócritas:
Depenados na amargura singela
Foi-se na mentira disfarçada pela mentira
Na incerteza de um amor bandido
Na pureza de um estupro caridoso
Na promessa pervertida do pastor
"Oh, dor! Oh, demônio-satanás"
No sangue do acusado a TV
Nos olhos de quem quis matar voce.
Somos todos santos aos olhos de Deus
Que pregou o amor e pregou o próprio filho.
Que matou, cuspiu e riu daqueles que amou.
Deus hipócrita: "Não matarás", disse ele.
Seja piedoso, e acolha minha alma maldita, oh Deus!
Hipocrisia, quando o alimento roubado do povo só enche tuas entranhas
E condenas aquele que, de fome, roubou-lhe uma maçã.
E hipócrita eu, que com meu dinheiro não suado,
Também roubei e defendi o povo
Preguei a verdade e menti ao meu favor
Onde estarei? Onde estou?
Subirei aos céus com o louvor
De quem provou as delícias do inferno delirante
As moças, as carnes, o gozo
E irei para o céu com o perdão do Senhor
O Senhor que me fez de escravo
O Senhor de nossas terras imaculadas
Que me entrega a maçã nessa fome 
E me diz ser proibido comê-la?
Então eu a como, eu a beijo, sinto o seu cheiro
"Ah Eva, suas curvas, seus lábios!"
Como não comer a maçã que entregastes?
Deus hipócrita, Deus sádico!
Perdoai-me! Aceitai-me!
Deixai-me subir aos céus, como um pássaro
Abutre hipócrita, amargurado
De espírito singelo e depenado